ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO NAS SÉRIES INICIAIS

ESTADO DE MATO GROSSO

PREFEITURA MUNICIPAL DE LAMBARI D’OESTE

SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO E CULTURA

 

 

PORANGABA, Fábio Araújo

PORANGABA, Sandra de Souza Menezes

MENESES, Silvane de Souza

                                               SILVA, Wander Moura Batista           

 

 

 

 

 

 

ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO NAS SÉRIES INICIAIS.

 

 

 

 

 

 

 

 

                                   LAMBARI D’OESTE – MT, JANEIRO DE 2012 

 

 

ALBETIZAÇÃO E LETRAMENTO NAS SÉRIES INICIAIS.

 

PORANGABA, Fábio Araújo

PORANGABA, Sandra de Souza Menezes

MENESES, Silvane de Souza

                                                   SILVA, Wander Moura Batista           

 

RESUMO: 

A educação em plena era digital vem enfrentando muitos desafios acerca da alfabetização muitos desafios acerca da alfabetização. E um dos gargalos na educação é o analfabetismo que ainda está num índice  muito elevado no pais.

Mediante a análise das teorias de Piaget, Vygotsky e Ferreiro e suas contribuições à alfabetização e os estudos feitos, pode-se pensar nos fatores que interferem no processo de alfabetização e redefinir a posição da escola neste novo cenário de mudanças aceleradas e desordenadas da sociedade contemporânea. E é ai que entra o letramento como uma proposta de superar os vários fracassos, usando os termos como alfabetizar – letrando, apontados como o caminho para superação dos problemas enfrentados nesta etapa de escolarização. Diante de tudo que foi há alguns educadores que ainda só alfabetizam através dos sistemas de codificar e decodificar os símbolos gráficos.

Mas existem aqueles educadores que alfabetizam letrando, sempre tendo em vista os aspectos sociais, culturais, cognitivos e reais para o desenvolvimento das práticas culturais dos alunos.

Palavras-chave: Alfabetização, letramento, construtivismo.

INTRODUÇÃO:

Ao ver os grandes fracassos enfrentados pela alfabetização este trabalho pretende tratar de um assunto que vem sendo amplamente questionando: a questão de alfabetizar letrando. Chamar a atenção dos professores e educadores escolares para o fato que o texto escrito era mais que um sistema de códigos a ser decodificado. Era urgente chamar a atenção para a perspectiva da escrita e da leitura como práticas sociais, que só têm sentido quando produzidas e interpretadas em um determinado contexto, com uma determinada intenção e com modos específicos de organização.

Apresenta como objetivo propor uma metodologia de alfabetização e letramento com base no pensamento construtivista e progressista, fazendo uma reflexão da alfabetização através dos pensamentos de autores como Piaget, Vygotsky e Ferreiro, e analisando fatores que interferem no processo de alfabetização.

Neste artigo pretende-se retomar a fundamentação que apóia as práticas na perspectiva da alfabetização intercalada com o letramento.

DESENVOLVIMENTO:

ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO

A alfabetização é um campo aberto, no qual o conflito entre teorias é fundamental para o progresso do conhecimento. Mas é importante levar em conta a compreensão sobre as visões de mundo, de homem e de sociedade que as sustentam para o professor possa decidir de um modo mais crítico e consciente, sobre os quais, os ajudarão a concretizar os fins de uma educação formada da cidadania de nossos aprendizes.

Atualmente parece que de novo estamos vivenciando uma nova situação, no que se refere á alfabetização, o que prenuncia o questionário a que vem sendo submetidos os quadros conceituais e suas práticas ao longo da desse seu processo na história. Estamos diante de um quadro que aponta problemas resultantes de alfabetização de crianças no contexto escolar, insatisfações e inseguranças entre alfabetizadores os que evidenciam uma perplexidade na persistência do fracasso escolar em alfabetizar.

Neste contexto, vem surgindo nos discursos teóricos a palavra letramento como uma proposta para superar tais fracassos, usando termos como alfabetizar ou letrar alfabetizando, apontados como o caminho para a superação dos problemas enfrentados nesta etapa de escolarização.

No inicio da escolarização, uma pesquisa revela que, até os anos 80, o objetivo maior era a alfabetização isto é, enfatizava-se fundamentalmente a aprendizagem do sistema convencional da escrita. Em torno desse objetivo principal, métodos de alfabetização alteram-se em um movimento pendular: ora a opção pelo principio da síntese, segundo o qual alfabetização deve partir das unidades maiores _ a palavra, a frase, o texto (método fônico, método silábico); ora a opção pelo principio da analise segundo o qual a palavra, a frase, o texto – em direção as unidades menores (método da palavração, da sentenciação, global). Em ambas as opções, porém a meta sempre foi à aprendizagem do sistema alfabético e ortográfico da escrita; embora se possa identificar na segunda opção uma preocupação também com o sentido veiculado pelo código. Seja no nível do texto (global, seja no nível da palavra, ou da sentença da palavração, sentenciacão) os textos foram postos a serviço da aprendizagem do sistema de escrita. Visto que, palavras são intencionalmente selecionados para servir a sua decomposição em sílabas e fonemas.

Assim, pode se dizer que até os anos 80, a alfabetização escolar no Brasil caracterizou por uma alternância entre método sintético e métodos analíticos, mas sempre com o mesmo pressuposto – o de a criança para aprender o sistema de escrita, dependeria de estímulos externos cuidadosamente selecionados ou artificialmente construídos – e sempre com mesmo objetivo o domínio desse sistema, considerado condição, pré-requisito para que a criança desenvolvesse habilidades de uso da leitura e da escrita, isto é, primeiro aprender a ler e a escrever, para só depois, ler textos, livros, escrever histórias, cartas, etc.

Nos anos 80, a perspectiva psicogenética da aprendizagem da língua escrita divulgada entre nós, sobretudo pela atuação formativa de Emilia Ferreiro, sob a denominação de construtivismo, trouxe uma significativa mudança de pressupostos e objetivos na área de alfabetização, porque alterou fundamentalmente a concepção efetivas de leitura e de escrita. Essa mudança permitiu identificar e explicar o processo através do qual a criança torna-se alfabética; por outro lado, e como conseqüência disso, sugeriu as condições em que mais adequadamente se desenvolve esse processo, revelando o papel fundamental de uma interação intensa e diversificada da criança com práticas e matérias reais de leitura e escrita a fim de que ocorra o processo de conceitualização da língua.

No entanto, o foco no processo de conceitualização da língua escrita pela criança e a importância de sua interação com práticas de leituras e de escrita como meio para provocar e motivar esse processo tem subestimado, na pratica escolar da aprendizagem inicial da língua escrita, o ensino sistemático das relações entre a fala e a escrita de que ocupa a alfabetização. Como conseqüência de o construtivismo ter evidenciado processos espontâneos de compreensão da escrita pela criança, ter condenado os métodos que enfatizam o ensino direto e explicito do sistema de escrita e, sendo fundamentalmente uma teoria psicológica, não ter proposto uma metodologia de ensino, os professores foram levados a supor que, apesar de sua natureza convencional e com freqüência arbitrária, as relações entre a fala e a escrita seriam construídas pela criança de forma incidental e assistemática, como decorrência natural de sua interação com inúmeras variedades práticas de leitura e de escrita, ou seja, através de atividades de letramento, prevalecendo, pois, estas sobre as atividades de alfabetização.

É, sobretudo essa ausência de ensino direto, explicito e sistemático da transferência da cadeia sonora da fala para a forma gráfica da escrita que tem motivado as críticas que atualmente vem sendo feitas ao construtivismo. Além disso, é ela que explica porque vêm surgindo, surpreendentemente, propostas de retorno a um método fônico como solução para os problemas que se enfrentam na aprendizagem inicial da língua escrita pelas crianças.

Cabe salientar, porém, que não é retornando a um passado já superado e negando avanços teóricos incontentáveis que esses problemas serão esclarecidos e resolvidos.

Por outro lado, ignorar ou recusar a crítica aos atuais pressupostos teóricos e a insuficiência das práticas que deles tem decorrido resultará certamente em mantê-los inalterados e persistentes.

Nesta perspectiva, surge letramento, que, segundo Kleiman não está ainda dicionarizada define letramento como um contraponto ao conceito de alfabetização, segundo ela os dois conceitos se alternam e se completam.

A alfabetização e o letramento são, no estado atual do conhecimento sobre a aprendizagem inicial da língua escrita, indissociáveis simultâneos e interdependentes.

 

UMA REFLEXÃO DA ALFABETIZAÇÃO ATRAVÉS DE: PIAGET, VYGOTSKY, FERREIRO.

Piaget

A epistemologia genética de Piaget é uma teoria construtivista de caráter interativo, entendendo o pensamento e a inteligência como processos cognitivos que tem sua base em um organismo? Biológico. É a partir da herança genética que o individuo constrói sua própria evolução da inteligência paralela com a maturidade e o crescimento biológico da pessoa que, através da interação com o meio desenvolve também suas capacidades básicas para a subsistência: a adaptação e a organização.

Vygotsky

Para Vigotsky a aprendizagem é o resultado da interação do aprendiz com o ambiente através da sua experiência, compartilhada com um momento histórico e com determinantes culturais particulares. Essa aprendizagem como experiência não se transmite de uma pessoa a outra forma de mecânica, mas sim mediante operações mentais que se realiza na interação do sujeito com o mundo material e social. O fundamental do enfoque de Vygotsky consiste em considerar o individuo como resultado do processo histórico e social onde a linguagem desempenha um papel essencial. Para Vygotsky, o conhecimento é um processo de interação entre o sujeito e o

Ferreiro

As investigações de Ferreiro demonstram que, questão crucial da alfabetização é de natureza conceitual e não perceptual. Ela mudou radicalmente as concepções sobre a origem dos estudos da aquisição da leitura e da escrita. Ferreiro introduziu uma nova didática da língua, onde a alfabetização é uma construção do conhecimento não um lugar de acumulo de informações sem significado para a criança.

CONCLUSÃO

Percebe-se que quando se discute qual é a melhor maneira de ensinar, a ler e escreve busca um método mais práticos que venha suprir tal necessidade de  alfabetizar. Existem vários métodos para ensinar escrever. O que ocorre é que quando o professor lança mão de um método para alfabetizar não leva em conta se esse método realmente vai suprir a necessidade do aluno a ser alfabetizado, centra-se apenas no ato de codificar e decodificar os sinais e os sons, como diz Paulo Freire: deve levar o aluno a refletir sua vida no mundo, não deixando se levar pela a educação bancária que aplica o conhecimento, a educação deve se esforçar para desmascarar a realidade para que o aluno possa interferir de forma critica na sua realidade, a “educação é uma forma de intervenção no mundo ‘(Freire, 2000)’”.

Atualmente a educação esta caminhando para alfabetizar letrando. No processo de alfabetizar e letrar é imprescindível que os educadores tenham claros tais conceitos, pois alfabetização é um processo especifico e indispensável de apropriação do sistema da escrita, a conquista dos princípios alfabético e ortográfico que possibilita ao educando ler e escrever com autonomia e letramento é o processo de inserção e participação na cultura escrita, processo este que tem inicia quando a criança começa a conviver com as diferentes manifestações da escrita na sociedade e se prolonga por toda a vida, com a crescente possibilidade de participação nas práticas sociais que envolvem a língua escrita.

Este trabalho considera que alfabetização e letramento são processos distintos, cada especificidade, mas complementares e inseparáveis, ambos indispensáveis para a aquisição da leitura e da escrita pelos alunos. Neste sentido não se trata de escolher entre alfabetizar ou letrar, trata-se de conciliar esses dois processos assegurando aos alunos a apropriação do sistema alfabético – ortográfico e condições possibilitadoras do uso da língua nas práticas sociais de leitura e escrita, percebe-se que a ação pedagógica mais adequada e produtiva é aquela que contempla, de maneira articulada e simultânea, a alfabetização e o letramento.

É preciso mudar o aprender, e isto demanda tempo, talvez muito tempo, que não acontece de uma hora pra outra, porque requer forças de muitos segmentos, segmentos estes que na maioria extrapolam o ambiente escolar. Como o social, econômico, tecnológico, político e muitos caminham alheios aos objetivos da educação. O desafio da escola atual está em sua contribuição á redefinição dos saberes e dos valores aptos a participar dos processos de construção de novos cenários, num mundo ao mesmo tempo global e intercultural.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

PIAGET, Jean. O aprendizado do mundo. Revista Viver Mente e Cérebro. Coleção memória da Pedagogia, Edição Especial, Nº1.

FERREIRO, Emilia. A Construção do Conhecimento. Revista Viver Mente e Cérebro. Coleção memória da Pedagogia, Edição Especial, Nº5.

VYGOTSKY, Lev. Semenovich. Uma Educação Dialética. Revista Viver Mente e Cérebro. Educação memória da Pedagogia. ___________ Pensamento e Linguagem 2ªed. São Paulo: Martins Fontes, 1998.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: Saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.

KLEIMAM, Ângela. Os significados do letramento: Uma nova perspectiva sobre a prática social da escrita. Campinas: mercado das letras, 1995.

FERREIRO, Emília. Uma reflexão sobre a língua oral e a língua escrita. São Paulo: p.8- 11, Fev/Abr.2004.

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